sexta-feira, 5 de setembro de 2014

DIVAGAÇÕES



Semelhante  a   ave migratória
Contemplou e  até viveu em algumas paragens
Longe do seu habitat,
D’onde em suas divagações tem recordações
Por vezes, felizes.

Viajante certamente,
Errante talvez.

Caminhou em estrada de chão,
Amou
E sentiu solidão.

Debruçado na janela da saudade ,
Buscava  o horizonte com as vistas embaçadas,
De lágrimas, poeira e decepção.

Levantava o olhar para  o céu
Sorria...
Agradecia...
E recomeçava com os seus devaneios.
 
Aspirava amar e ser acariciado pelo vento
que sopra no verão do Araguaia,
Sonhava beijar um rosto macio duma colega de escola
E namorar escondido no canto da rua.

Divagava pelas praias e espreitava na sutileza da noite escura,
A nudez  serena das estrelas
E esperava com paciência o aparecimento da lua.

Com a cumplicidade da madrugada,
Que oculta os mais loucos desejos
Dos enamorados pela vida,
Lembrava do seu primeiro amor.

sábado, 30 de agosto de 2014

BUSCA



Em uma manhã de verão
O sol dividia o seu brilho com a vida
E aquecia as flores dos jardins da terra.

Meu olhar  vagava
Pela natureza urbana
ouvindo o canto dos pardais
que nos recantos da cidade edificada
à beira de um rio,  ensaiavam a sinfonia cotidiana.

Em meio à vagação temporal,
Um ser de singular significância,
Procurava no ar
 
O  pretexto da sua essência;
Aquela que  rompe-se  nua
E em seguida veste os farrapos da covardia.

Subitamente  a nutrição celestial invade a sua alma,
Aflorando a fé que estava escondida no seu profundo existir.
Percebendo-se cruamente em si, grita...!
Loucamente... arrependido de ter duvidado,
Mas ninguém o ouve.
Já não existe em sua própria busca.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

SILÊNCIO






Não existe solidão
No meu momento presente,
Agora é silêncio.

O silêncio dos amigos,
Do lar
Do trabalho
Do dia.

O silêncio mais fustigante 
É o do sono
Pois até a noite silencia
além do que deveria
Pra eu dormir...

Se assim  não fizer
Não durmo!
Pois tudo em mim está inquieto.

O silêncio é  tão massacrante
Que não consigo lembrar
Da cantiga dos banzeiros da minha meninice.



A única lembrança
Que o sossego que hoje tenho
Não apagou
Foi a das brancas areias
Da praia de  minha infância
Que Cantavam aos meus pés
Ao correr atrás das gaivotas.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

BILHETE DE AMOR



No regresso ao nascedouro dos sentimentos
De um namoro
Aflorado em ardis desencontros,
Encontra alguém
Que o  alerta  para os sinais da  obsessão
À que se entrega..

No reflexo do retrovisor
Das suas lembranças,
Vê a imagem de desleixo
Com a fé
Com a vida
E consigo.

Não sente mais
A brisa rasteira  de maio
Vinda do outro lado do rio
Que  sentia todos os dias
De todos os meses.

O   reluzir da lua
Já não o via 
e esquecia
Até  de dar bom dia ao sol.

Quão egoísta é o homem!
Quer ser amado e implora por atenção de seus  iguais,
Mas, se lhe pedem um olhar fraterno
Ignora a essência do existir
Naturalmente sem remorso algum.

Perceber a inércia do amor próprio
É como planta que recebe visita da chuva
Em período de seca;
É lembrar de passarinhos observados na infância,
E querer viver mais um amor de adolescência.


As paixões adultas
Não satisfazem os idos tempos
Dos primeiros versos
Compostos e escritos nas folhas do caderno de caligrafia,
Tudo agora é sem fantasias, sem sonhos
e sem bilhete de amor...
E a solidão  lhe rouba  a respiração.